segunda-feira, 20 de julho de 2009

Polacos, comida e saudades!

A Polônia vivia seus momentos de opressão e repressão. Era a metade do século XVIII e o território polaco foi riscado do mapa. A Rússia e a Prússia começavam um processo chamado despolonização. A partir deste século, a língua polonesa foi proibida, só era permitida a língua alemã. Todos os nomes de ruas ou lugares deveriam ser substituídos por nomes alemães. A religião também foi atingida. Instalou-se um regime feudal naquele território, que há alguns séculos antes fora uma grande nação, de comércio poderoso, de intensa vida cultural e intelectual.

Foi diante deste cenário de terror que se iniciou em meados do século XIX a emigração dos poloneses para o Brasil, incentivados pelo governo brasileiro (ainda no tempo de colônia portuguesa) para a colonização do território brasileiro. Na Polônia faltava terra, no Brasil sobrava e os imigrantes que aqui chegavam já seriam proprietários de pequenas áreas de terra. Era a esperança de uma nova vida. Traziam na bagagem os valores que os uniam como povo: a religiosidade, a cultura, as artes, a comida. O território paranaense (e em menores proporções algumas áreas do RS e SC), principalmente os arredores de Curitiba, foi o local destinado aos imigrantes poloneses.
Bem...eu sou descendente destes imigrantes. Minha família, tanto por lado de pai quanto de mãe, são de poloneses....dessas levas que vieram há mais de 100 anos para cá. É clara a influência das tradições polonesas no dia a dia destas famílias, principalmente na língua e na alimentação.

Próximo a Curitiba, no município de Campo Magro há um circuito de turismo rural, numa colônia polonesa. Uma propriedade rural abriu um restaurante especializado em comida polonesa, que abre somente aos domingos. Eu sou apaixonada por esse tipo de comida...pierogue, repolho azedo com carne de porco, torta de requeijão....sempre que dá aquela vontade, encomendo para a mãe. Ligo antes de sair de casa, e peço o cardápio da janta ou do almoço...e quando chego em casa, está tudo deliciosamente preparado. Pois nesse final de semana, quando descobrimos a existência deste restaurante, eu, meu pai e minha mãe fomos até lá para ver ser era bom mesmo.

E eis que era...quantas delícias! Pierogue, bigos, sopa de cebola, carne de porco, e mais um monte de coisas...ah, e não podia faltar o tradicional pão com banha!!!! O lugar é deliciosamente decorado.
O mais bonito do dia foi ter ouvido uma senhora, de uns 60 anos ou mais, no momento em que ela foi se servir, ela falou para a outra pessoa que estava com ela que os pratos de que estava se servindo eram iguaizinhos aos que a mãe dela preparava e ela começou a chorar, relembrando a mãe. Fiquei pensando nessa senhora e no que a comida representou para ela...e como esta questão tradicional pode evocar tantos sentimentos! Provavelmente ela não via aquele tipo de comida há muitos e muitos anos, e só a mãe dela sabia fazer daquele jeito. Comecei a pensar então naquelas comidas que a minha mãe faz, e que eu nem tenho idéia de como fazer...e que meus filhos (se um dia eu acaso vier a ter) podem então não conhecer. Iria acabar por ali essa tradição alimentar?

Momentos depois fui me servir novamente (devia ser a 3ª vez....rsrs) e peguei um prato super tradicional dos polacos do Paraná, que é a polenta branca. Fazia anos que eu não comia aquilo e quando dei a primeira garfada lembrei da minha avó, que sempre fazia aquilo....igualzinha...bem molezinha, com um molho delicioso. E também aquele prato despertou em mim momentos de lembranças, de pessoas queridas que já se foram há tempos e junto com essas lembranças, as saudades...

4 comentários:

Silvia disse...

Que post massa... cheio de informação e sentimento...

Cor de Rosa e Carvão disse...

guria, tu nao tomou os barbiturios de proposito no domingo ne? hehehe. lindo esse post mesmo. qdo for a ctba de novo, diz para tua mae te ensinar guria. nao deixa morrer as tradiçoes... bjo

Anônimo disse...

Ai Nêga, como é q vc adivinhou que eu não tomei meus "barbiturios"? hehehehehe

Cor de Rosa e Carvão disse...

pela terceira vez ao buffet? hehehe. só sem os comprimidinhos mesmo. hahaha.

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